sábado, 14 de dezembro de 2013

O Desaparecimento de Ashley, KANSAS


     Na noite de 16 de Agosto de 1952, a pequena cidade de Ashley, no estado do Kansas, parou de existir. Às 3h28 AM de 17 de Agosto de 1952 um terremoto de magnitude 7.9 foi medido pela Associação Americana de Estudos Geológicos*. O terremoto em si foi sentido pelo estado e por grande parte do meio-oeste. Determinou-se que o epicentro foi bem embaixo de Ashley, Kansas.

     Quando a equipe de segurança do Estado chegou ao que deveria ser os arredores da comunidade agrícola, acharam apenas uma enorme e ardente fissura de cerca de 1.000 metros de comprimento e 500 de largura. A profundidade da fissura jamais foi determinada.

     Depois de doze dias, a busca pelos 679 residentes da cidade de Ashley, que estava sendo realizada em todo o estado, foi cancelada pelo Governo do Estado do Kansas, às 9h15 PM de 29 de Agosto, 1952. Todos os 679 residentes foram dados como mortos. Às 2h27 AM de 30 de Agosto de 1952, um terremoto de magnitude 7.5 foi medido pela Associação Americana de Estudos Geológicos. O epicentro foi, novamente, o local onde ficava a cidade de Ashley. Quando as autoridades investigaram a área às 5h32 AM, reportaram que a fissura na terra havia se fechado.

     Nos oito dias que antecederam o desaparecimento da cidade e de seus 679 residentes, acontecimentos bizarros e inexplicáveis foram reportados por dezenas de moradores da cidade de Ashley e das cidades e vilas aos arredores.

     Na noite de 8 de Agosto de 1952, às 7h13 PM, um residente chamado Gabriel Johnathan reportou a visão de um objeto não identificado no céu de Ashley. A cidade em si, não tendo nenhuma organização policial de verdade, recorreu à estação policial da cidade vizinha de Hays. Gabriel reportou o que aprecia ser uma "negra e pequena abertura no céu". Nos 15 minutos seguintes, a polícia de Hays foi sobrecarregada com dúzias de ligações reportando o mesmo fenômeno. O fenômeno não foi reportado por nenhuma outra comunidade próxima. Decidiu-se mandar uma tropa para Ashley para investigar o problema na manhã seguinte.

     Às 7h54 AM da manhã de 9 de Agosto, 1952, o oficial da polícia de Hays, Allan Mace, mandou um sinal de rádio para a estação de Polícia de Hays. Ele reportou que, mesmo tendo seguido a única estrada que levava à Ashley, havia se perdido. De acordo com seu informe, a estrada "continuava seu caminho normal mas, de alguma forma, voltava para Hays". O oficial Mace ainda disse que a rua não possuía curvas ou saídas. Às 9h15 AM, sete dos dez carros policiais foram mandados para investigar a situação e todos os membros do time chegaram à mesma conclusão. A única estrada em direção à Ashley passou a ter como fim, a cidade de Hays. Telefonemas continuavam a sobrecarregar a estação policial de Hays, todos reportando que a abertura negra no céu continuava a crescer. Todos foram orientados a permanecer em casa e não sair de lá a não ser que fosse completamente necessário. Às 8h17 PM, a Sra. Elaine Kantor reportou o desaparecimento de seus vizinhos Sr. e Sra. Milton, e seus dois filhos, Jeffery e Brooke. De acordo com o telefonema da Sra. Kantor, os Miltons haviam tentado deixar a cidade com o carro da família mais cedo naquele dia. Eles nunca retornaram. Jamais foi reportado nenhum carro ou pessoa passando de Ashley para Hays ou qualquer outra cidade próxima.

     Às 7h38 AM da manhã de 10 de Agosto de 1952, telefonemas de Ashley para a estação policial de Hays reportavam que a cidade estava em completa escuridão. O Sol não havia nascido. Às 10h15 AM, por pedido do corpo policial de Hays, um helicóptero de Topeka, Kansas, voou sobre a região de Ashley. A cidade não foi vista de cima.

     Às 12h43 PM da tarde de 11 de Agosto, 1952, a srta. Phoebe Danielewski ligou para a estação policial de Hays. Ela reportou que sua filha, Erica, estava conversando com o pai, falecido três anos antes em uma acidente de carro. Para preocupá-la mais, a srta. Danielewski reportou que Erica ameaçava ir para fora para "juntar-se à eles". No decorrer das doze horas seguintes, foram registradas 329 ligações descrevendo fenômenos similares com as crianças da cidade.

     Na manhã seguinte, 12 de Agosto de 1952, a situação ficou terrível. No meio da noite, todas as 217 crianças de Ashley desapareceram. Foram registrada 421 ligações telefônicas para o departamento policial de Hays. Incapaz de ajudar, o corpo policial de Hays instruiu a população para permanecer em casa e evitar quaisquer tentativas de achar as crianças desaparecidas.




     Às 5h19 PM da noite de 13 de Agosto de 1952, um idoso de Ashley, Scott Luntz, reportou um incêndio crescente ao sul da cidade. De acordo com sua descrição, o fogo fazia com que o preto do céu se transformasse em "vermelho vivo e laranja [que] parecia ir bem alto no céu." Durante o resto do dia, telefonemas continuaram reportando que o fogo, além de se mover para o norte, agora parecia "sair do céu escuro". Nenhum incêndio foi testemunhado por nenhuma das comunidades vizinhas.

     As reclamações continuaram até 12h09 AM da manhã de 14 de Agosto de 1952. O último telefonema, feito por Benjamin Endicott, informava que o fogo havia se tornado tão intenso que parecia dia novamente na cidade. A ligação foi interrompida abruptamente.

TRANSCRIÇÃO DA LIGAÇÃO DE BENJAMIN SHERMAN ENDICOTT

Benjamin:
Esperem aí... calma...
(silêncio)
É, é... Estou vendo algo. É bem ao Sul. Parece um-

[FIM DA LIGAÇÃO]

     Não foram computadas outras ligações até a noite seguinte.
     A seguir, a transcrição completa da última ligação recebida de Ashley, Kansas pelo departamento policial da cidade de Hays. Foi às 9h46 PM da noite de 15 de Agosto, 1952. Nessa ligação gravada, falam o oficial Peter Welsch e uma senhora identificada como April Foster.

[LIGAÇÃO]

Officer Welsch:
Departamento policial de Hays.
(estática abafada)
Olá?

Foster:
SIM... sim, olá?

Oficial Welsh:
Senhora, com quem falo?

Foster:
Meu nome é April, April Foster. (tosse) Por favor, senhor. Por favor, me ajude.

Oficial Welsch:
O que está acontecendo, senhora?

Foster:
Noite passada... Eles voltaram na noite passada.

Oficial Welsch:
Senhora, preciso que você -

Foster:
ELES VOLTARAM NA NOITE PASSADA! (choro)

Oficial Welsch:
Senhora, eu preciso que você se acalme e fale claramente. O que aconteceu? Quem voltou?

Foster:
(soluçando) Todos.

Oficial Welsch:
Todos?

Foster:
Todos eles vieram com o fogo.

Oficial Welsch:
Como assim todos?

Foster:
Meu filho... Eu vi meu filho na noite passada. Ele estava andando... ele estava andando pela rua. Estava queimado. Jesus Cristo, ELE ESTAVA QUEIMADO!

Oficial Welsch:
Senhora, eu-

Foster
Ele morreu no ano passado. Eu o criei desde que ele era um bebê... Éramos só nós dois. Eu o avisei para prestar atenção na rua enquanto andava de bicicleta, mas ele nunca me escuta.

Oficial Welsch:
Senhora, o que você está dizendo não faz sentido nenhum. Você disse que todos voltaram?

Foster:
VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO, PORRA? TODOS. Todos voltaram. Todos que morreram ou desapareceram, eles voltaram. E estão procurando por NÓS! (choro)
Ele... Ele disse: "Mamãe, eu estou bem agora! Olhe, eu posso andar de novo! Onde você está, mamãe? Eu quero te ver!" (soluço)

Oficial Welsch:
... Senhora, onde você está agora? Você está segura?

Foster:
Eu estou escondida, assim como todos. Nós os vimos vindo pelos campos... e... algumas pessoas abriram as portas para eles. Meu deus, os gritos!! (pausa) Eu não sei o que aconteceu com eles. Suas casas pegaram fogo e... Afundaram. Eu fechei as cortinas e estou me escondendo no armário e- (silêncio)

Oficial Welsch:
Senhora, está tudo bem? Você está bem?

Foster:
(silêncio)

Oficial Welsch:
Senhora?

Foster:
(vidro se quebrando)
Ah... Ah, meu Deus.

Oficial Welsch:
Senhora?

Foster:
Algo acabou de entrar. (choro abafado)

Oficial Welsch:
Senhora, permaneça o mais quieta que puder. Não faça nenhum barulho.

Foster:
(abafado: "mamãe... mamãe?")
(soluços) Ele entrou.

Oficial Welsch:
Fique parada. Não saia.

Foster:
(som abafado de passos)
(abafado: "mamãe? mamãe, onde você está se escondendo?)

Oficial Welsch:
Fique quieta.

Foster:
(som de passos pesados. risadas. abafado: "achei você, mamãe!")
(barulhos indiscerníveis e gritos)

Oficial Welsch:
Senhora? SENHORA???

[FIM DA LIGAÇÃO]

     Na manhã seguinte, às 6h55 AM, a tropa do departamento policial de Hays chegou à cidade de Ashley, Kansas e tudo o que restava era uma enorme fissura na terra.



*United States Geological Survey (N/T: tradução não literal)

(Creepypasta traduzida e adaptada por Natália Facchini @NanisF)

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