Eu via a tempestade como uma metáfora para esse novo começo: um último show antes que toda a sujeira do passado fosse lavada. O meu filho adorou, de qualquer maneira, mesmo sem energia na casa. Foi a primeira grande tempestade que ele viu. Flashes de relâmpagos enchiam os cômodos vazios da casa, formando assustadoras sombras por detrás das caixas. Ele pulou e gritou ao ouvir o barulho do trovão. Já havia passado da sua hora de dormir quando ele conseguiu se acalmar o suficiente para adormecer.
Na manhã seguinte, vi-o acordado na cama, sorrindo. "Eu vi o relâmpago na minha janela!" ele disse com orgulho.
Alguns dias depois, ele me disse a mesma coisa. "Bobeira," eu disse "não teve uma tempestade ontem à noite, você estava só sonhando!" "Ah..." Ele pareceu levemente desapontado. Baguncei seu cabelo e falei para que não se preocupasse, pois provavelmente haveria uma tempestade em breve.
E então aquilo se tornou frequente. Ele me dizia ter assistido os relâmpagos do lado de fora de sua janela pelo menos duas vezes na semana, mesmo que não acontecessem tempestade. Sonhos recorrentes daquela primeira tempestade, pensei.
Olhando para trás, é fácil sentir ódio de mim mesmo. Todos me garantem que não havia nada que eu pudesse fazer, não havia como eu saber. Mas eu devia ser o guardião do meu filho e essas palavras de conforto são inúteis. Eu constantemente revivo aquela manhã: faço meu café, coloco leite no meu cereal e pego o jornal para ler sobre o pedófilo que a polícia local havia prendido. Primeira página. Aparentemente esse cara escolhia um alvo bem jovem (normalmente um garoto), vigiava do lado de sua casa por um tempo, tirando fotos com flash deles pela janela enquanto eles dormiam. Às vezes ele fazia mais. Meu estômago revirava enquanto fazia a conexão.
Na época, me parecia algo da imaginação de uma criança. Pensando naquela época, é a coisa mais assustadora que eu já ouvi. Uma semana antes daquele pedófilo ser pego, meu filho veio até mim em seus pijamas. "Adivinha?" ele perguntou.
"O que?"
"Não tem mais relâmpagos na minha janela!"
Entrei na brincadeira. "Ah, isso é bom! Eles foram embora então, é?"
"Não! Agora tá no meu armário!"
Ainda tenho que ver as fotos coletadas pela polícia.
(Creepypasta traduzida e adaptada por Natália Facchini @NanisF)
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